Dentre alguns assuntos abordados, a atriz fala sobre sua estreia como autora de teatro com a peça "Deus é Química". Além de falar sobre seu trabalho, na entrevista ela abre o jogo a respeito de drogas, traição, política e faz uma declaração de amor à mãe Fernanda Montenegro.
Separei alguns trechos que achei muito interessante pois retrata bastante o que vemos atualmente:
[...]
ISTOÉ - A sra. já usou drogas?
Fernanda - Comecei com maconha e fui até o pó.
ISTOÉ - Ainda usa? Quando parou e o que a fez parar?
Fernanda - Parei. Tudo me fez parar, sei lá. Acho que o me bateu mais foi a saúde. A sensação que tenho é que a gente vai ficando mais velha e se vendo mais mortal. Mas, quando se é novo, queremos experimentar morrer.(...)
ISTOÉ - Como a sra. pretende falar de drogas com seus filhos?
Fernanda - Acho que o máximo que os pais podem fazer é estabelecer uma relação de amizade. Meus pais fizeram assim: eles não deixavem eu usar drogas em casa. Sabiam que eu usava. Mas não se falava sobre isso, não se tocava no assunto. Eles eram uma espécie de freio mental.
ISTOÉ - Sua peça faz uma crítica severa sobre as drogas.
Fernanda - Não sei, acho que não. Acho que critica severamente o uso de antidepressivos, a droga da felicidade. Faz uma crítica feroz a cocaína, mas, ao mesmo tempo, fala que as pessoas sempre se drogaram, bebendo, fumando. (...) O lema dos anos 60, onde a cocaína era dominante na sociedade, era "Seja Marginal, Seja Herói" (obra do artista plástico Hélio Oiticica). O mito do marginal, do revolucionário era encantador. Eu cresci nessa época. A direita estava no poder e nós tínhamos de fazer o oposto da direita, por princípio. Nas escolas experimentais, onde eu estudei, o refrão era a liberdade para tudo. Hoje ficou diferente.
ISTOÉ - Como é hoje?
Fernanda - Hoje todo mundo é deprimido. Se você tem uma tristeza, logo aparece alguém para aconselhar a tomar um remedinho para ficar bem, para não ficar ancioso. É a geração Rivotril (tranquilizante). É o remédio para regular o humor, combater a tristeza, emagrecer. Uma vez tomei um emagrecedor e falei: gente, desculpa, mas isso é igual a cocaína. Primeiro, eu fiquei com palpitação no coração e, depois, meio deprimidinha. Fiquei sem fome e excitada e, depois, muito angustiada. Já vi isso antes, só que tinha outro nome: cocaína. Antigamente, todo mundo fazia análise, hoje a psicanálise perdeu para a psiquiatria. Todo mundo tem um psiquiatra, é bipolar, e toda criança é hiperativa. Impressionante. (...)
ISTOÉ - Qual seria a saída para o problema das drogas?
Fernanda - A descriminalização pode ser um bom caminho. Tirar a droga da área de polícia, crime, e levar para a questão da saúde. Tirar o glamour também ajuda a diminuir o uso, conforme já se comprovou. O cigarro ja foi glamouroso e, hoje fuma é out. O adolescente que fuma é visto como um otário, um bobo.
ISTOÉ - Já tem um canditado para as eleições do ano que vem?
Fernanda - Não. Mas acho que ter Serra, Dilma, Marina e Ciro disputando significa que melhorou muito, né? (...)Me lembro que na época da campanha do Lula para a Presidência, muitos previam uma catástrofe, uma vergonha quando Lula fosse nos representar no exterior. E o cara arrebentou. (...)
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