sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Das indagações...

Depois dos últimos acontecimentos na minha vida andei me perguntando “quem tem poder pra decidir quem vive e quem morre?”. A minha resposta foi de fé. E só hoje percebi que a pergunta que eu fazia estava errada, o certo era “quem tem poder pra decidir quem sofre e quem não deve sofrer”.
É que talvez a morte seja bálsamo que insistimos em não aceitar. Quando crianças, quem não chorava quando a mãe vinha colocar remédio que ardia o joelho machucado? E o remédio, por sua vez, apesar de doer de início não tinha única e exclusivamente o papel de nos ajudar? Quando chegar a minha vez, que seja breve e indolor.
Essa noite não dormi direito. E vi a manhã se aproximando minuto a minuto embalada no minutos no tic-tac do relógio. Tenho me mantido forte em alguns momentos da vida... Me parece que alguns fantasmas foram embora de vez...
Hoje pela manhã... atrasada para pegar o ônibus cai. O joelho seguiu doendo todo o trajeto do tombo que levei. Pior é que caí de bunda e não de joelho no chão. Não inchou, não roxeou, mas ainda dói. E como dói a lembrança. Não tinha chorado ainda, até agora.
No emprego há insegurança. Tanta coisa deixei pra depois e o depois passou que nem vi. Não tenho medo do novo. Tenho medo de perder a voz. E já dizia a canção que paz sem voz não é paz, é medo. Insegurança. E constatei que o tempo passou mesmo hoje, numa conversa, numa manhã incomum e numa tarde das antigas com minhas primas (LINDAS) emprestadas. E estava terminando um projeto da faculdade e pensei no passado... como pensar no passado, meus pais, irmão, tios, primos e amigos, e mesmo que o passado com eles tenha sido muito bom... também é dolorido. E foi mesmo. O passado é sempre mais bonito com os olhos do hoje. Tem coisas que são boas de lembrar. Tenho medo de como as coisas acontecem na nossa vida... No inesperado...
E o que mudou daquele tempo, daquelas tardes, daquelas festas? Aquela gente mudou. Casaram-se, divorciaram-se, partiram e alguns ficaram. Mas ficar não implica em continuar o mesmo. Porque o tempo segue adiante independente da nossa vontade de seguir com ele. Eu acho que a gente vive tão mal, que às vezes a gente precisa perder as pessoas pra descobrir o valor que elas têm. Às vezes as pessoas precisam morrer pra gente saber a importância que elas tinham.
Minha tia Sandra estava no Brasil, passeando e liguei para falar com ela... Estava apressada, queria dar só um oi e quem atendeu o telefone foi meu tio Leonardo...foi a última vez que eu falei com ele, e eu me recordo que naquele dia eu estava com muita coisa pra fazer, e fiz questão de desligar o telefone rápido. Sabe quando você fala, mas fala na correria, porque você tem muita coisa pra fazer? E foi assim... se eu soubesse que aquela seria a última oportunidade de falar com meu tio, de ouvir sua voz, suas piadas, eu certamente teria esquecido toda a pressa, porque quando a vida é assim, e você sabe que é a ultima oportunidade, você não tem pressa pra mais nada.
Estava eu na minha casa, de madrugada, quando recebi um telefonema da minha mãe dizendo que meu tio estava morto. Meu tio mais velho,mas era um homem e cheio de vida...e de repente não existe mais. Fico pensando assim, que às vezes, na vida, o ensinamento mais doído seja esse: quando na vida nós já não temos mais a oportunidade de fazer alguma coisa, o inferno talvez seja isso - a impossibilidade de mudar alguma situação.
E quando as pessoas morrem, já não há mais o que dizer, porque mortos não podem perdoar, mortos não podem sorrir, mortos não podem amar, nem tão pouco ouvir de nós que os amamos. Parei para pensar nisso e eu descobrir com isso, com a morte do meu tio, que eu não tenho o direito de esperar amanhã pra dizer que amo, pra perdoar, para abraçar, dizer que é importante que é especial.
O amanhã eu não sei se existe, mas o agora eu sei que existe, e às vezes, na vida, nós perdemos... Eu me lembro quantas vezes na minha vida, passei semanas sem ligar para meus familiares, sem pedir perdão para meus pais por alguma malcriação, lembro de brigas e discussões em família e a gente se dava o luxo de passar uma semana sem se falar, e hoje eu não tenho mais nem 5 minutos pra conversar com alguém que foi importante, que faz parte da minha vida, da minha história.
Não espere as pessoas morrerem, irem embora, não espere o definitivo bater na sua porta. Nós não conhecemos a vida e não sabemos o que virá amanhã. Viva como se fosse o último dia da sua história. Viva como se fosse o último dia da sua vida; viva como se fosse a última oportunidade de amar quem você ama, de olhar nos olhos de quem pra você é especial.
Diante de tudo isso parei para pensar e não sei se vivi direito, se vivi bem. Se meu coração pesará ou se será leve o suficiente para que eu me salve. Rogo apenas que quando a hora chegar, que seja bálsamo. E que um leve sopro divino alivie toda a dor.

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