sexta-feira, 19 de julho de 2013

Que ela não vai esquecer

Hoje recebi uma notícia triste, que um jovem que eu conhecia morreu.
O dia também amanheceu chuvoso, cinzento. E nessa melancolia do dia, inexplicavelmente eu pensei em você.
Perguntava-me por onde você anda, com quem.
Imagino-te bem casado e com diversos filhos.
Mas nunca te imagino feliz. Sou egoísta nesse ponto, quero que eu te faça falta, que tenha sido inesquecível, que seja ainda o grande amor da sua vida.
Afastei meus pensamentos, peguei um livro lindo pra ler.
Queria ser a mocinha, queria um mocinho igual ao da história. Nesse ponto, já não pensava mais em você. Você não era o protagonista da minha história imaginada assim como não foi o da minha história vivida. As pessoas próximas aqui não sabem que hoje também amanheci cinzenta.
Alguém cantou um trecho de uma canção. A nossa. Aquela maldita canção martelando, aquele refrão inesquecível.
A cena revivendo na minha mente: sua mão, seus lábios, sua pele, seu sabor e aquela sensação de que o mundo já não importava e nada existia além da gente, juntos, naquele momento.
A música tocando no rádio, sua mão aumentando o volume.
E de repente você canta junto, desafinado e grita o refrão com a mão na minha coxa, os olhos nos meus olhos, uma declaração apaixonada
 Eu sorri aquele dia. E sorrio agora, enquanto escrevo essa carta. Você tinha razão.
Como um bruxo você ditou meu destino.
Não esqueci, nunca mais, de você.
Hoje o dia amanheceu cinzento e chuvoso.
Dentro do meu coração, também.

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