"dentro de mim
mora uma vadia
que trepa com rimas
a troco de poesia
dentro de mim
habita uma poeta
que de esquina em esquina
se estrepa em estrofes
(só se f…)
dentro de mim
avança essa mulher à margem
à minha imansa e semelhagem"
Valéria Tarelho
O blog.
Foi assim que começou. Um poema. Um nome que me chamou a atenção. Logo eu, que não escrevo. Sempre gostei mais dos números que das palavra. Mesmo lendo desde sempre e me corrigindo para falar e escrever o português correto, inclusive em conversas de msn.
E aqui reúno meus pensamentos, desabafos, poesias, contos, meu cotidiano tão comum de mulher comum.
Faço questão também de citar quem me inspira. Autores famosos. Livros que leio. Músicas que escuto. Pessoas que me são interessantes. Pessoas que tanto amo. Interessantes porque sabem pensar, sabem viver. Poetas anônimos. Atores e atrizes anônimos. Amigos.
Sempre tive muito o que falar. Muito o que escrever. E agora resolvi reunir tudo num só lugar. Organização. Arrumação. Casa.
A autora.
Brasileira. Curitibana. Catarinense. E mais recentemente Limeirense. Vinte e alguns anos. Cabelo liso. Riso solto. Bem humorada. Sonhadora. Romântica. Poética. Viciada em tudo o que lhe apresentam de novidade. Ama arte. Filmes. Músicas. Séries. Desenhos. Ama cachorros. Trabalha. Curso superior. Religiosa. Cultural. Louca de pedra, por fazer um blog assim.
MSN
"Escreve-me!
“Escreve-me! Ainda que seja só
Uma palavra, uma palavra apenas,
Suave como o teu nome e casta
Como um perfume casto d’açucenas!"
Florbela Espanca
Citações
"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada… Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro… "
Clarice Lispector
"Não existe isso de homem escrever com vigor e mulher escrever com fragilidade. Puta que pariu, não é assim. Isso não existe. É um erro pensar assim. Eu sou uma mulher. Faço tudo de mulher, como mulher. Mas não sou uma mulher que necessita de ajuda de um homem. Não necessito de proteção de homem nenhum. Essas mulheres frageizinhas, que fazem esse gênero, querem mesmo é explorar seus maridos. Isso entra também na questão literária. Não existe isso de homens com escrita vigorosa, enquanto as mulheres se perdem na doçura. Eu fico puta da vida com isso. Eu quero escrever com o vigor de uma mulher. Não me interessa escrever como homem."
Lya Luft
"Por que as pessoas escrevem? Já me fiz tantas vezes esta pergunta que hoje posso respondê-la com a maior facilidade. Elas escrevem para criar um mundo no qual possam viver. Nunca consegui viver nos mundos que me foram oferecidos: o dos meus pais, o mundo da guerra, o da política. Tive de criar o meu, como se cria um determinado clima, um país, uma atmosfera onde eu pudesse respirar, dominar e me recriar a cada vez que a vida me destruísse. Esta é a razão de toda obra de arte.
Só o artista sabe que o mundo é uma criação subjetiva, que é preciso escolher, selecionar. A obra é a concretização, a encarnação do seu mundo interior. Ele espera impor sua visão pessoal, partilhá-la com os outros. Se não atinge esta última finalidade, o verdadeiro artista persiste assim mesmo. Os poucos momentos de comunhão com o mundo valem esse sofrimento, pois finalmente esse mundo foi criado para os outros como um legado, como um dom destinado a eles.
Também escrevemos para aprofundar o nosso conhecimento de vida. Para atrair, encantar e consolar. Escrevemos para acalentar nossos amantes. Para degustar em dobro a vida: no momento preciso e retrospectivamente, na sua lembrança. Escrevemos, como Proust, para tornar as coisas eternas e para nos convencermos de que elas o são. Para podermos transcender nossa vida e alcançarmos o que existe além dela. Escrevemos para aprender a falar com os outros, para testemunhar nossa viagem ao labirinto. Para abrir, expandir nosso mundo quando nos sentimos sufocados, oprimidos ou abandonados. Escrevemos como os pássaros cantam, como os primitivos dançam seus rituais. Se você não respira quando escreve, não grita, não canta, então não escreva porque sua literatura será inútil. Quando não escrevo, meu universo se reduz; sinto-me numa prisão. Perco minha chama, minhas cores. Escrever deve ser uma necessidade, como o mar precisa das tempestades – é a isto que eu chamo de respirar."
Anais Nin

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