Não aconteceu, mas já aconteceu com você. Calma, explico. O beijo não aconteceu, mas a confusão também já aconteceu com você também.
Você no telefone ou ocupada, sei lá, e vem o desavisado, desacostumado, desambientado te cumprimentar pelo ano novo, aniversário, desejar um bom dia com um beijo no rosto. E o que parecia fácil e corriqueiro torna-se estranho e constrangedor.
Você oferece a face direita, o telefone no lado esquerdo, era simples, óbvio, não? Mas você tem que virar pra mostrar pro infeliz que você está no telefone, que ou ele espera ou ele se contenta em cumprimentar sozinho como quem cumprimenta uma parede, uma boneca, um objeto inanimado. E naquele momento, você é isso mesmo! Você está ali, no telefone, resolvendo um problemão e não pode dar atenção a mais nada, nem ao infeliz do dono da empresa que insiste em cumprimentar sempre do lado errado. Meu deus, porque todo mundo no universo cumprimenta do lado direito e ele do lado esquerdo? Coisa de europeu? Não basta só dirigir do lado diferente da via, tem que cumprimentar também?
Aí você fica naquela situação: mostro que estou no telefone, cumprimento do lado esquerdo, cumprimento do lado direito, resolvo o problema e o rosto do homem vindo na sua direção. O beijo é quase inevitável e você trava boca, fecha os olhos, afasta a cadeira, prende a respiração, faz careta. Constrangimento. Aí se interrompe a conversa ao telefone, cumprimenta de qualquer lado mesmo, vem a piadinha, o rubor no rosto, a vontade contida de xingar e explicar que um pouquinho de educação e paciência é bem vinda em qualquer situação e que no fundo você nem fazia questão de ser cumprimentada.
Aí você respira fundo, pega o telefone novamente e nem lembra mais o que estava falando. Fica sem jeito, sem graça, sem vontade. E aquela imagem daquele rosto vindo, o constragimento, não te larga por um bom tempo. Pelo menos não houve selinho, ufa! Se tivésse, eu tinha jogado o telefone na cara da pessoa…
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