terça-feira, 10 de novembro de 2009

Ler não é fundamental

Para os franceses Pierre Bayard e Daniel Pennac, ler um livro da primeira à última página não é necessariamente uma virtude. É melhor passar os olhos pelo título e a orelha, pular as páginas ou deixá-lo pela metade, dizer que leu tudo e ainda ter discussões filosóficas sobre seu conteúdo. “Ser culto é ser capaz de se orientar rapidamente em uma obra, e essa orientação não implica sua leitura integral”, afirma Bayard em seu livro Como Falar dos Livros que não Lemos?.
Bayard é psicanalista e professor de literatura da Universidade Paris 8, na França. Sua bandeira é dizer que a leitura passa por meios-termos como deixar o livro fechado, ouvir falar sobre ele, percorrer suas páginas… O escritor francês Daniel Pennac também luta pelo direito à não-leitura. Seu ensaio Como um Romance explica que é o “ter que ler” que afasta os leitores. “Temos o direito de não ler, de pular as páginas, ler qualquer coisa ou não terminar um livro”, diz Pennac. Faça um teste: experimente discutir com seus amigos Ulisses, de James Joyce. Provavelmente todos terão uma opinião formada, ainda que nenhum deles tenha lido de cabo a rabo o romance.

"Entre um bom livro e um mau filme, o segundo geralmente ganha, por mais que não queiramos confessar" 
Daniel Pennac
Fonte: Revista Galileu online

Um comentário:

ítalo puccini disse...

eu adoro esses dois livros. vezemquando volto a eles, ao que sublinhei e registrei em cada leitura que deles fiz. propõem-nos um pensar mais cuidadoso e aberto para a leitura, creio.